segunda-feira, 3 de novembro de 2008

HISTÓRIA DOS SENTIMENTOS

Os SENTIMENTOS Humanos certo dia se reuniram para brincar. Depois que o TÉDIO bocejou três vezes porque a INDECISÃO não chegava a conclusão nenhuma e a DESCONFIANÇA estava tomando conta, a LOUCURA propôs que brincassem de esconde-esconde. A CURIOSIDADE quis saber todos os detalhes do jogo, e a INTRIGA começou a cochichar com os outros que certamente alguém ali iria trapacear.

O ESTUSIASMO saltou de contentamento e convenceu a DÚVIDA e a APATIA, ainda sentadas num canto, a entrarem no jogo. A VERDADE achou que isso de esconder não estava com nada; a ARROGÂNCIA fez cara de desdém pois a idéia não tinha sido dela, e o MEDO preferiu não se arriscar: "Ah, gente, vamos deixar tudo como está" e como sempre perdeu a oportunidade de ser feliz.

A primeira a se esconder foi a PREGUIÇA, deixando-se cair no chão atrás de uma pedra, ali mesmo onde estava. O OTIMISMO escondeu-se no arco-íris, e a INVEJA se ocultou junto com a HIPOCRISIA, que sorrindo fingidamente atrás de uma árvore estava odiando tudo aquilo.

A GENEROSIDADE quase não conseguia se esconder porque era grande e ainda queria abrigar meio mundo, a CULPA ficou paralisada pois já estava mais do que escondida em si mesma, a SENSUALIDADE se estendeu ao sol num lugar bonito e secreto para saborear o que a vida lhe oferecia, porque não era nem boba nem fingida; o EGOÍSMO achou um lugar perfeito onde não cabia ninguém mais.

A MENTIRA disse para a INOCÊNCIA que ia se esconder no fundo do oceano, onde a inocente iria se afogou, a PAIXÃO meteu-se na cratera de um vulcão ativo, e o ESQUECIMENTO já nem sabia o que estavam fazendo ali...

Depois de contar até 99 a LOUCURA começou a procurar. Achou um, achou outro, mas ao remexer num arbusto espesso, ouviu um gemido: era o AMOR, com os olhos furados pelos espinhos.

A LOUCURA o tomou pelo braço e seguiu com ele, espalhando beleza pelo mundo. Desde então o AMOR é cego e a LOUCURA o acompanha...

Juntos fazem a vida valer a pena - mas isso não é coisa para os medrosos nem para os apáticos, que perdem a felicidade no matagal das preocupações, onde rosnam os deuses melancólicos da acomodação...

Autor: Anônimo



2 comentários:

  1. Legal amigo, o Amor...Isso é bom demais e nele tudo subsiste...
    Abraços

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  2. Amo esse texto da Clarce Lispector...coloquei no meu blog nuti.fotoblogger.com
    Entra lá!!!

    Abraço!!!

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