...Marcelo Caldas...
"ARTE é informação liberada, o ciberespaço internet é um novo estado da matéria numérica, mas a cultura digital transita nessa terceira margem ou dimensão infinita que denomino a 8º ARTE." (_Gonzalo Mezza).
sábado, 21 de janeiro de 2012
NÃO HÁ NADA COMO UM LIVRO DE VERDADE...
"Livraria, lugar de danação, lugar de descoberta. Um dia, quando? Vou entrar naquela casa, vou comprar um livro mais terrível que o de Almáquio e nele me perder - e me encontrar."
_Carlos Drummond de Andrade.
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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
LUANA CALDAS RECOMENDA – AS AVENTURAS DE PEPINO

Nesse final de semana (14/01/2012) estivemos no Sesc Vila Mariana, para conferir a peça teatral: “As Aventuras de Pepino” da Cia Rodamoinho; que já tem mais de oito anos de carreira. Os atores Fabiano Assis e Renata Flaiban dão um verdadeiro show de interpretação e encantam todos: crianças e adultos.
A peça conta a história do jovem Pepino, menino puro e bem atrapalhado, que procura seguir a risca tudo o que sua mãe lhe diz. Contudo, em sua maioria esmagadora das tarefas em que ele se lança, obtém pouco êxito. Parte bem cômica e um traço familiar, é que eles (mãe e filho) toda noite tocam sanfona e bandolim napolitano para espantar os bichos e dormirem; e isso é uma tradição familiar milenar.
O que falta a Pepino de competência nas tarefas, lhe sobra em coragem, pois ele sai de casa e sozinho enfrenta os mistérios da floresta, vive desafios quixotescos, luta, apanha... E aos trancos e barrancos, encontram seu rumo na vida.
A percussão é marcante nessa peça, que é de excelente musicalidade (além disso, conta com um bandolim napolitano de cerca de 100 anos e uma sanfona Scandalli de 32 baixos) bonecos permeiam e entrelaçam as histórias, dando um tom enriquecedor ao enredo. E por fim, a comédia é sua expressão maior e transpira por toda peça, arrancando gargalhadas das crianças e adultos.
“A Cia Rodamoinho teve como base contos tradicionais de heróis tolos, desenvolvidos a partir de dois contos: o de Orham, da cultura tradicional italiana, e o de João Preguiça, um conto britânico” conta Renata Flaiban.
Algo que nos chamou muito atenção foi que a peça consegue transpor a barreira do dito: “infantil” e consegue atingir o público adulto também; pois todos nós (adultos) ficamos ávidos com as peripécias de Pepino e cativados com sua história.
Num mundo com tantas falências, permeado por imbecilidades que brotam a granel nos canais de televisão, internet, redes sociais e twitter – que não agregam nada a vida de ninguém. Poder contar com a resiliência indômita do Teatro é um bálsamo para almas que almejam algo mais, e que não ficam presos à manada pusilânime que os rodeia; aliás, que mal sabem para onde caminhar...
Evoé para os grandes mestres teatrais gregos e para o monumental Shakespeare, que nos legaram essa emancipação – através do Teatro.
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sábado, 14 de janeiro de 2012
EU VOU E VOCÊS? BEIJO ME LIGA...

EITA! SARAU – Terça 17/01/2012 – às 20h30 – Dança: A Poesia do Movimento
Está chegando o 18º EITA! Sarau. O nosso primeiro encontro de 2012!
Será excepcionalmente na 3º terça-feira: 17 de janeiro!!! Para dar tempo de todos voltarem de férias!
Vamos lá?
O tema será - DANÇA: A POESIA DO MOVIMENTO.
Tudo está no corpo/alma, por isso o corpo também é poesia.
Nele se escreve desde as mais íntimas palavras até as mais coletivas manifestações.
Mesmo o que está no mais profundo recôndito da alma/corpo, vira poesia e vira dança. E daí nasce a mais linda e fascinante 'poesia do movimento'.
Então, traga sua poesia, sua música, sua dança, seu corpo/alma, e vem dançar com a gente nessa ciranda de todas as artes!
LANÇAMENTO da 1º Antologia Literária Feminina "MULHERES NUAS".
POCKET SHOW de Dança com Paula Martins e participação de Jaime Matos.
No Julinho Clube
Rua Mourato Coelho, 585 - Pinheiros – São Paulo
Tels: (11) 3034-2985 - (11) 96101860
Importante: não tem placa, toque o interfone!
Aceita cartões Visa e Master Card
Estacionamento indicado: Rua Mourato Coelho, 502
EITA! Sarau: Encontro Integrado de Todas as Artes
Um encontro para compartilhar arte e cultura, divulgar seu trabalho, incentivar a leitura e a escrita.
Poesia, música, dança, teatro! Traga sua arte!
Toda 2º terça-feira do mês, a partir das 20h30.
Informações: 9370-8090 (Ana Cris)
Extraído do Blog.: http://sentidostodos.blogspot.com em 14/01/2012.
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PS. A parte do não tem placa, toque o interfone, eu adoroooooooooooo!
domingo, 8 de janeiro de 2012
EXCERTOS DA 7ª ARTE (PARTE XIII)
A TORRE DOS CAVALOS AZUIS (1913) – ORIGEM: DESAPARECIDO – DE FRANZ MARC (1880-1916).
Nesse final de semana assisti o filme: “Cavalo de Guerra” dirigido pelo excelente Steven Spielberg, baseado no livro de Michael Morpurgo, chamado “War Horse” lançado em 1982. Acredito que Spielberg dispensa comentários e qualquer filme dele vale a pena ser visto, pois já acumula uma notória e sólida carreira cinematográfica, em minha modesta opinião sua melhor película é “A Lista de Schindler”.
O filme tem como pano de fundo a Primeira Guerra Mundial e se passa na Inglaterra rural e na Europa. É um filme que traz a tona alguns valores, tais como: lealdade, amizade, tenacidade e constância. Sem esquecer-se da boa e velha: esperança, que transpira nas idas e vindas do cavalo Joey, pela cavalaria britânica, pelo exército alemão e ainda passa pelas mãos de um fazendeiro francês e sua neta. É uma viagem épica, digna dos gregos, que finalmente acaba quando retorna com seu dono (Albert) que o treinou para o lar.
O que mais me chamou a atenção foram os valores que o filme transmite e as virtudes do cavalo Joey, constância principalmente. Numa era emergida no que o escritor francês Guy Debord, chamou de: “Sociedade do Espetáculo” nos depararmos com esses pontos nos faz refletir muito, sobre nós mesmos e as futilidades e efemeridades mil que nos rodeiam, tais como: as celebridades instantâneas, tendo em vista que um dos programas de maior apelo de audiência do país começa esse mês, o famigerado BBB. Aliás, o que esse programa pode nos acrescentar em nossas vidas?
O que diferencia as pessoas que fracassam das que têm sucesso não é a cultura acadêmica, o berço, as posses – mas a capacidade de superação das adversidades da vida, e isso é exposto brilhantemente no filme de forma peremptória, tanto pelo cavalo Joey como por seu dono Albert.
Literalmente como disse Jean Cocteau: “Não sabendo que era impossível, foi lá e fez”.
Ambos fizeram: treinador e cavalo - o impossível!
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
CRÔNICAS AVULSAS: O SANSÃO & EU
Sou fã de Homero – não nego. E ultimamente sua obra monumental e clássica: Odisseia, sempre que chego ao meu lar é reavivada pelo Sansão; meu quase cachorro, já que oficialmente ele pertence a minha irmã.
O Sansão me faz lembrar de um outro famigerado cachorro, cujo dono é Ulisses da obra supracitada, que quando chega enfim à sua casa, travestido, por Atenas, sob a forma de um velho mendigo. Na soleira da porta de sua casa estava o seu cão, Argo. No momento de sua partida, Argo era um filhote. Agora, velho e pulguento, ele não tem força sequer para ficar em pé. No entanto, quando Ulisses aparece, Argo não tem dúvida. Ele o reconhece e levanta, correndo trôpego em direção ao dono. Ulisses abraça sue cão cheio de pulgas e enfraquecido. O cão morre em seus braços, como quem estivesse apenas à espera de um reencontro.
O cão reconheceu Ulisses, mas sua mulher não. Mesmo tendo recoberto sua forma, isso depois da batalha com os pretendentes que haviam se apossado de sua casa, Penélope não está segura de ter a seu lado Ulisses, o marido pelo qual ela tanto esperou.
Na verdade, Penélope precisa de uma prova, ela precisa testar a memória daquele que diz ser seu marido. É por meio da memória que se dará o reconhecimento, a partilha entre o certo e o incerto.
É interessante lembrar tal ponto porque estamos tão presos à procura de reconhecimento por outros sujeitos, precisamos tanto do assentimento fornecido por outros sujeitos que esquecemos como, muitas vezes, o que nos reconforta, o que nos diz realmente que estamos em casa é ser reconhecido por um animal, ser reconhecido por algo que, afinal, não é uma consciência de si. Os animais percebem os animais que ainda somos, eles nos lembram de um “aquém” da individualidade a respeito do qual nunca conseguimos nos afastar totalmente. E não foi a toa que Guimarães Rosa, disse: “Se todo animal inspira ternura, o que foi que aconteceu com os homens?”
O que foi que aconteceu conosco? Confesso que não sei, o pouco que arrisco a dizer é que estamos à deriva na era da “modernidade líquida” como bem cunhou o sociólogo polonês: Zygmunt Bauman.
Sim, completamente perdidos, contudo, no meu caso, graças ao Sansão, toda vez que eu chego à minha casa, ao me receber esfuziante ele me lembra o que realmente eu sou...
E nada mais justo do que uma crônica para prestigiar tão fiel amigo...
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domingo, 1 de janeiro de 2012
SE EU FOSSE UM PADRE

Extraído do site: http://jr-art.net em 01/01/2012 - JR show @ MIAMI, Perrotin Gallery for ART BASEL.
“Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
- muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,
não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,
Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!
Porque a poesia purifica a alma
... e um belo poema – ainda que de Deus se
aparte – um belo poema sempre leva a Deus!
Poema: Se eu fosse um padre – Mario Quintana
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sábado, 31 de dezembro de 2011
2012!
Elis Regina & Tom Jobim - "Águas de Março" - 1974
Que possamos fazer de 2012 um ano mais leve, como essa linda música...
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domingo, 25 de dezembro de 2011
EXCERTOS FOTOGRÁFICOS E POÉTICOS DE LUANA CALDAS: É PROIBIDO EM 2012...

Fotografia de Li Wei.
POEMA: É Proibido
"É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.
É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau - humor.
É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual."
_Pablo Neruda.
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
CADERNOS ESPIRITUAIS: NÃO RASGUE A AGENDA DO SEU DIA
ESTUDIOSO MEDITANDO (1631), DE REMBRANDT
“Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. Durante a ceia [...].” (João - capítulo 13: 1-2)
Acredito que uma das coisas mais difíceis de nossas vidas, é aprendermos a conviver com o outro. Aliás, não é a toa que o filósofo francês, Jean Paul-Sartre disse que: “O inferno são os outros”. De fato na arte de viver, temos de aprender a conviver com os outros e particularmente creio que seja impossível vivermos a vida sem nos relacionarmos. Contudo, para os adeptos dessa filosofia de vida, faço-me das palavras de Vinicius de Moraes:
“a maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, ou se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e desolada torre.”
(Para Viver um Grande Amor. São Paulo: Companhia das Letras, 2001, p.181.)
No capítulo 13 do Evangelho de João, Jesus nos ensina como devemos lidar com os relacionamentos. Fico maravilhado com sua postura, pois, mesmo sabendo que seria traído por Judas, não deixa que isso o impeça de celebrar a ceia com os demais discípulos, de lavar os pés dos mesmos (inclusive do traidor Judas) e dar o novo mandamento (13: 31-35).
Aprendo com ele, que o medíocre não deve ditar a nossa agenda. Ou seja, mesmo ele sabendo que seria traído por Judas, celebrou seus últimos instantes com seus discípulos com alegria. Ensinou-lhes uma grande lição de humildade ao lavar-lhes os pés e deixou o grande legado do Novo Mandamento.
Quando trago isso para minha vida, vejo o quanto sou pequeno, pois basta algo (ainda que pequeno) acontecer de errado, que isso já azeda o meu dia. Com Ele aprendo a viver o dia, independentemente das circunstâncias, e não deixar de celebrar a vida e a coisas boas que essa tem, ainda que as pessoas venham a nos atrapalhar.
Aprendo com Ele, que quando a circunstância é boa, devemos desfrutá-la; quando a circunstância não é favorável, devemos transformar a circunstância; e quando a circunstância não pode ser transformada, devemos transformar a nós mesmos.
Numa sociedade que vive a era da “modernidade líquida” termo cunhado pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, cuja metáfora da liquidez – que ele usa para caracterizar o estado da sociedade moderna: como os líquidos, caracterizado pela incapacidade de manter a forma. Poderíamos trazer isso para a realidade dos relacionamentos de hoje em dia, que são marcados pela liquidez, pelo prazo de validade e são tão descartáveis, quanto qualquer objeto fútil, a proposta de Jesus é um desafio a todos nós. Vejamos:
“Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu voz fiz, façais vós também.” (João – capítulo 13:14-15)
Ou seja, quando ele se propõe a lavar os pés dos discípulos, inverte a ordem e quebra um paradigma, ou seja, de que as pessoas com quem queremos nos relacionar é que devem lavar os nossos pés e nos servir. Pelo contrário, Ele nos ensina que nós só podemos nos relacionar com as pessoas, com as quais estamos dispostos a lavar os seus pés e a servir as mesmas.
Basta pararmos para pensar nisso um pouco, pois tem sentido, se não estamos dispostos à humilhação e ao serviço, nunca conseguiremos suportar as pessoas em suas imperfeições (e todos são imperfeitos).
Logo, viver é de fato aprender a se relacionar com o outro.
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
CRÔNICAS AVULSAS: UM MILHÃO DE AMIGOS

Extraído do site: http://jr-art.net em 07-12-11, INSIDE OUT Project in Naplouse, Palestine.
Causei certo estranhamento numa conhecida minha, quando disse a mesma que não tinha Facebook, Orkut, MySpace, Twitter, LinkedIn... Na ocasião disse que vivia muito bem sem eles, o que ela obviamente encarou como uma aberração da natureza – esse fato.
Embora não seja fã do Roberto Carlos, tenho que me render para sua música “Eu quero apenas”, cujo famoso verso: “Eu quero ter um milhão de amigos” faz eco em nossa geração Y.
Fato líquido e certo é que as famosas redes sociais brincam com a promessa que estava contida na música do Rei apenas como metáfora. Penso que a canção põe em jogo a questão insaciável do ser humano, que é: desejo descontrolado – que, aliás, nunca poderá ser suprido. Se a música enuncia que “eu quero ter um milhão de amigos”, ela antecipa na ala do desejo o que nas redes sociais é seu cumprimento fetichista. E o que é o fetichismo senão a realização falsa de uma fantasia por meio de sua encenação sem que esteja a fazer ficção?
Seria impossível a qualquer ser humano finito (como todos nós somos) termos um milhão de amigos, como poderíamos ter “um milhão” de contatos reais? A impossibilidade desse desejo é até mesmo física.
A amizade é a básica e absoluta forma da relação ética, aprendida como função fraterna no laboratório familiar e na escola; ela é uma qualidade de relação. Tratá-la como quantidade é a autodenúncia de seu fetiche e de sua transformação em mercadoria.
Amigos transformados em números não são amigos em lugar nenhum, nem na metáfora de Roberto Carlos, que serve aqui para denunciar criticamente o mundo no qual somos responsáveis junto com Mark Zuckerberg.
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sábado, 26 de novembro de 2011
CRÔNICAS AVULSAS: TEOLOGIABILIDADE

Extraído do site: http://jr-art.net em 26-11-11 - Center of Tel Aviv, Inside out Project spreads through the city!
Há um tempo atrás eu e minha irmã socorremos uma vizinha, que tinha se acidentando involuntariamente em sua própria casa, vindo a quebrar seu dedo mindinho do pé, numa batida na quina do seu fogão acidentalmente. Após o diagnóstico médico, ela ficou sabendo que ficaria de molho por pelo menos mais de um mês.
Depois de algumas semanas, minha irmã que era mais próxima a ela, fez contato para saber como iam às coisas, e depois de conversarem por algum tempo, ela desabafou:
“Creio que foi Deus que permitiu que isso me acontecesse, pois acho que Ele me livrou de coisas piores que poderiam me acontecer.”
Quando minha irmã me contou isso, confesso que fiquei sem eira nem beira, pois sabia que ela professa uma fé religiosa cristã, e fiquei a pensar com meus botões, de onde ela conseguiu tirar essa formulação a respeito de Deus.
Não é preciso ser um erudito em Bíblia, para se saber que o princípio primordial de Deus em relação aos homens e mulheres, é pautado pelo amor. Então, como Deus, poderia infringir um sofrimento aos seus, para lhe pouparem de cosias supostamente piores que lhe poderiam acontecer? Aliás, como podemos dizer que algo de pior poderá nos acontecer, se somos seres finitos? Se Deus é amor, por que ele vai nos impor algum sofrimento?
Na Bíblia temos muitos exemplos de sofrimentos que, como o de Jô, não tem nehuma relação com o “castigo provisório” de Deus. Em todos os milagres de cura, Jesus destruiu a idéia, amplamente aceita naquele tempo, de que o sofrimento – cegueira e lepra, entre outros males – se abate sobre pessoas que o merecem. Jesus entristeceu-se por muitas coisas que acontecem neste mundo, sinal certo de que Deus as lamenta muito mais que nós. Nenhuma vez Jesus aconselhou alguém a aceitar o sofrimento como vontade de Deus.
Assim como o técnico Tite inventou uma palavra que não existe em nosso dicionário, a famosa: “treinabilidade”, creio que muitos cristãos, inventam uma “teologiabilidade” sem fundamento nenhum na Bíblia e na vida. Aliás, o que se pode esperar de tempos sombrios que estamos vivendo em termos de cristianismo?
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quarta-feira, 23 de novembro de 2011
CONTOS diVINO: SONHOS
RETRATO DE PÈRE TANGUY (1887) DE VAN GOGH
Meu pai sempre me dizia que o olfato era o melhor elo com o passado; o sentido mais forte para redescobrir histórias antigas. Sempre que sinto o cheiro de um vinho feito de Pinot Noir, lembro-me imediatamente do meu pai. Sua imagem vem com tamanha força em minha mente, que não consigo nunca impedir sua lembrança. Era um grande artista na arte de fabricação do vinho, sim – um autêntico vigneron, e como era de se esperar, possuía um compromisso com seu talento, com sua arte e com a busca da perfeição, mesmo sem nunca alcançá-la. Vivíamos no epicentro do vinho na França, em Beaune, capital da Borgonha; onde a famigerada Pinot Noir, tem sua expressão máxima, graças ao seu terroir ou climats como lá são chamados. Essa uva é extremamente difícil de cultivar, tem a pele fina, é temperamental, amadurece cedo, e ainda por cima é extremamente sensível a altas temperaturas, a ventos e a chuvas fortes. Dela como dizia meu pai, só podemos extrair dois tipos de vinhos: medíocres ou incríveis; não existe o meio termo. Por isso, que ele sempre trabalhou arduamente, com zelo e amor, o resultado não poderia ser diferente, nossos vinhos eram os melhores e apreciados no mundo inteiro e invejados por nossos pares.
Sempre o admirei e ainda posso lembrar-me nitidamente da última vez que nos falamos, junto aos barris de carvalho francês na adega de nossa casa; suas palavras ficaram cravadas em minha alma, naquele momento, não entendi muito bem o que ele queria me ensinar, mas com o passar dos anos, tudo o que disse naquele dia, fez todo o sentido dia e noite em minha vida. Ainda posso ouvir seu sussurro:
- Não perca tempo meu filho correndo atrás do seu sonho. Seja seu próprio sonho!
Enquanto muitos desdenhavam na insistência do meu pai em cultivar a Pinot Noir, pois teve muitos fracassos, antes de obter sucesso, ele por sua vez nunca duvidou que conseguiria produzir um vinho consagrado, foi à encarnação do seu sonho e me ensinou tudo que aprendeu – inclusive como se deve sonhar e viver a vida...
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quinta-feira, 17 de novembro de 2011
CONTOS diVINO: GÊNESIS

Eles mantinham sempre a mesma rotina, toda sexta-feira, encontravam-se ao cair do dia no Crémerie Restaurant Polidor (41, rue Monsieur-le-Prince, 75006) em Paris. Nunca se atentaram, mas desde que passaram o comando das respectivas vinhas aos seus herdeiros e decidiram morar na Cidade Luz, sempre viam ao mesmo lugar. Alguns hábitos entram em nossas vidas e nem percebemos; já outros, temos de lutar a vida inteira para incorporá-los ao nosso dia. Embora fosse de comum acordo o local do sagrado encontro diário, as coincidências paravam por aí, pois, diferiam sempre no campo das idéias. Nunca entravam num consenso; e os garçons sempre se perguntavam por que sendo eles assim, ainda continuavam sexta após sexta se encontrando? Como poderiam dois homens já velhos, que aparentemente não tinham nada em comum, continuarem com aquele estranho ritual de encontro? Certas coisas possuem explicações, outras, não sabemos as respostas – assim é a vida.
- Marcel Godard, hoje eu vi pensando no que trabalhamos a vida inteira, e me dei conta de algo importante e sem explicação...
- Ora, Jean-Luc Truffaut, meu velho o que lhe perturba? Fale quem sabe eu sei a resposta.
- Acho que não Godard.
- Vamos Truffaut, fale logo e deixe de enrolação.
- Tudo bem Godard, que nação ou ser inventou o vinho?
- Hum! Creio que foi Noé.
- Errou Godard! Não disse que você não sabia, pois Noé foi o primeiro homem a embriagar-se com o vinho, contudo, o vinho já existia antes dele.
- Truffaut, então se existia antes dele, só pode ter sido Dionísio o filho de Zeus e da princesa Sêmele; que segundo a mitologia grega viveu parte da sua vida fugindo da madrasta Hera, e numa dessas fugas ele resolveu inventar uma bebida oriunda da uva, para lhe acalentar a alma, e hoje há conhecemos como: vinho.
A conversa se tornava acalorada e não chegavam num consenso; os demais clientes constrangidos e irritados com a situação chamaram o maître do Crémerie, que já conhecia os dois velhos desde que apareceram ali pela primeira vez, e tomando ciência da querela entre ambos, disse em alta voz aos dois:
- Senhores, vocês concordam que quem inventou a uva foi Deus?
Os dois olharam entre si e acenaram que sim com a cabeça.
- Então a resposta é simples: Se Deus inventou a uva o diabo – vinho.
Não é o que nos acontece que nos magoa, mas a resposta que damos ao episódio. Como Godard e Truffaut na sexta-feira seguinte voltaram ao mesmo restaurante de costume, todos ficaram aliviados e convictos que ao menos uma vez, eles concordaram com algo na vida.
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quinta-feira, 3 de novembro de 2011
CRÔNICAS AVULSAS: FELICIDADE

Felicidade pra mim reside nas coisas simples da vida. Poderia enumerar várias delas, mas me aterei em apenas uma: correr.
Não sei bem ao certo, quando a corrida entrou em minha vida, mas sei que desde pequeno já gostava de correr. Algumas coisas nós escolhemos, outras nos escolhem.
Hoje mesmo quando finalizava mais um treino tive a imensa sensação de dever cumprido e acima de tudo: alegria, em poder correr. Lembrei-me de tempos difíceis de outrora quando tinha rompido o tendão de Aquiles, e fiquei por um bom período no estaleiro.
O ato de correr pra mim não tem nada a ver com a estética do corpo, nem muito menos com o intuito de tornar-me um campeão, não corro para isso. A corrida é antes de tudo por pura e simplesmente – alegria. Algo que brota de dentro pra fora, por isso que não aconselho ninguém a fazer algum tipo de exercício que não goste, aliás, existe tortura pior do que essa? Minha alegria vem de dar as passadas, avançar nos quilômetros, poder respirar fundo, sentir a pulsação do corpo, ter a sensação de liberdade...
Sigmund Freud (1856-1939) disse que: “A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz.” Já que essa busca é feita por cada um de nós, penso que a maneira como vemos o mundo é a fonte de nosso jeito de pensar e agir. E quanto não seria economizado por todos nós, se tivéssemos a singeleza e simplicidade de achar a felicidade nas coisas simples da vida?
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segunda-feira, 29 de agosto de 2011
CRÔNICAS AVULSAS: A MECA DE OSASCO
RELATIVIDADE (1953) DE M.C. ESCHER.
Os romanos diziam aos quatro ventos: “Todos os caminhos levam a Roma.” O dito é diuturno e sua história verídica, já que era costume dos romanos assim que dominavam alguma nação, traçar uma rota que ligasse diretamente os dominados ao império dos cézares, para que seus mensageiros pudessem ir e vir com suas ordens e informações.
A primeira vez que passei na Rua Antônio Agu, em Osasco, tive essa mesma impressão, ou seja, que tudo convergia para esse local, e ali era Roma. Contudo, com o passar do tempo, mudei de opinião, e cheguei à conclusão que ali é a Meca de Osasco e não Roma. E o culto prestado nessa Rua, obviamente é ao deus do consumismo. Uma afluência e concentração enorme de pessoas freqüentam essa Meca diariamente, indo e vindo em todos os sentidos, com suas sacolas coloridas e com passos apressados.
Uma das coisas que mais me impressionaram depois do número enorme de lojas e da grande quantidade de pessoas (que chega há lembrar um pouco a famigerada Rua 25 de Março) foram às barracas de hot dogs, que existem aos borbotões, chegando até a aceitarem cartão de débito.
Na primeira vez não entendi o motivo de tantas barracas, e até estranhei elas. Mas, num belo dia de sexta-feira, resolvi passear pela rua, no horário do meu almoço e pude entender bem o motivo de tantas barracas, que chegavam até a ter filas. Os osasquenses adoram hot dogs e isso é cultural deles.
E já que estava lá mesmo, aproveitei também para provar um hot dog. Assim, que terminei meu lanche-almoço, tive uma leve epifania culinária que resumiu tudo:
“Determinadas coisas na vida, não podem ser explicadas com palavras, somente – provando-as...”
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domingo, 7 de agosto de 2011
CRÔNICAS AVULSAS: A TERCEIRA MARGEM DO RIO DO PEIXE

Já parou para pensar em qual seria nossa única ou únicas certezas – que temos na vida? Tarefa um tanto complicada, confesso; e que cada um responderia ao seu modo, o que é certo também – já que todos somos seres pensantes e com suas próprias cosmovisões, portanto, não existe certo ou errado nesse quesito. Mas eu cá pensando, certo dia admirando o Rio do Peixe, que perpassa toda a cidade de Socorro; cheguei a duas certezas filosóficas gerais que temos na vida, e ouso arriscar dizer: transformação e morte.
É do grego Heráclito a famosa frase: “Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio.”
Toda vez que me lembro disso, me vêm à mente que somos seres em eterna transformação, ou como cantava o Raul Seixas: “Eu prefiro ser / Essa metamorfose ambulante / Do que ter aquela velha opinião / Formada sobre tudo.” Interagimos. Sociabilizamos. Vivemos. Aprendemos. Mudamos. E por fim – nos transformamos; uns para melhor outros para pior. Tudo dependerá tão somente de você mesmo.
A cada dia em que vivemos não nos banhamos no rio da vida por duas vezes. Assim, como na frase de Heráclito; não conseguimos nos banhar no mesmo rio por duas vezes, pois as águas mudam, correm, seguem seu fluxo; e aquela que nos banhou há segundos atrás, não é mesma de agora, pois ela já se foi. Assim como nós: seres em constante transformação. Mas, algumas pessoas preferem não mudar, e escolhem a estagnação para suas vidas. Esqueceram que sempre existe um copo de mar para se navegar; quando se quer. Para o inerte; não há caminho. Faz-se caminho ao caminhar.
Nas profundezas de cada alma, onde moram os mais estranhos e sinceros desejos, o ser humano sonha ser livre, para escolher seu caminho, mesmo que errado, e para falar o que sente, mesmo se não agradar. Muitos têm medo das transformações, mas poder contar sempre com elas é reconfortante – num mudo cheio de incertezas mil.
Que alinhado mesmo, seja somente a morte então; pois essa não há como se remediar. As demais coisas, que variem de uma margem a outra na vida e que cada um possa encontrar a sua terceira margem do rio, já que ela transcende o visual, pois, somente existe em qualquer rio que se olhe: duas margens.
Nenhum construtor, por mais hábil que seja, pode construir em teu lugar as pontes de que precisa passar; para atravessar o rio da vida. E alguns rios só se passam, quando conseguimos transformar a nós mesmos...
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Crônica publicada no Jornal da Cidade de Socorro, em 05/08/2011 - edição 35.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
MERCI MADRE!

O dia mais belo: hoje.
A coisa mais fácil: errar.
O maior obstáculo: o medo.
O maior erro: o abandono.
A raiz de todos os males: o egoísmo.
A distração mais bela: o trabalho.
A pior derrota: o desânimo.
Os melhores professores: as crianças.
A primeira necessidade: comunicar-se.
O que traz felicidade: ser útil aos demais.
O pior defeito: o mau humor.
A pessoa mais perigosa: a mentirosa.
O pior sentimento: o rancor.
O presente mais belo: o perdão.
O mais imprescindível: o lar.
A rota mais rápida: o caminho certo.
A sensação mais agradável: a paz interior.
A maior proteção efetiva: o sorriso.
O maior remédio: o otimismo.
A maior satisfação: o dever cumprido.
A força mais potente do mundo: a fé.
As pessoas mais necessárias: os pais.
A mais bela de todas as coisas: o amor!
_Madre Tereza de Calcutá.
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domingo, 31 de julho de 2011
PARIS: UMA FESTA MÓVEL EM SÃO PAULO

Ernest Hemingway (1898-1961) em seu monumental livro póstumo: “Paris é uma festa” disse: “Se você teve a sorte de viver em Paris, quando jovem, sua presença continuará a acompanhá-lo pelo resto da vida, onde quer que você esteja, porque Paris é uma festa móvel”. A cidade de São Paulo recende a Paris por todos seus poros e, também, é uma festa móvel instalada perenemente – graças a Cidade Luz.
Diz o senso comum que São Paulo não para, que somos a locomotiva do Brasil. Concordo com essas frases, pois refletem nosso espírito paulistano, nossa cidade e nosso povo. Porém, em alguns momentos, no entanto, é preciso parar, desacelerar e aquietar o coração para enxergarmos a nós mesmos; o que temos a nossa volta, ver o que fizemos e como chegamos até aqui.
As palavras de Antoine Saint-Exupéry, contidas no seu livro: “O pequeno príncipe” continuam mais atuais do que nunca: “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.” Sempre que fizermos isso veremos a influência da França em tudo ao nosso redor. Desde vocabulário que incorporamos em nosso dia-a-dia, economia, arte, fotografia, teatro, gastronomia, cinema, cultura, literatura, moda, arquitetura, negócios, comportamento...
Em São Paulo sinto o chão da história e um legado cultural multifacetado. Uma polis autêntica em sua expressão máxima democrática de convivência.
Estima-se que somente na capital paulista tenhamos setenta nações diferentes coexistindo; destarte, seria impossível para nós paulistanos sairmos incólumes à cultura vanguardista francesa.
Em 2009 foi comemorado o “Ano da França no Brasil” e fomos brindados e emergidos ainda mais na cultura francesa, que permeia nossa cidade. Espetáculos de alto nível dos mais variados possíveis movimentaram São Paulo por inteira, um ano marcante para todos nós sem sombra de dúvida.
A famigerada “Virada Cultural” que é um dos exemplos de maior sucesso entre nós paulistanos (já incorporada a nossa agenda cultural) ocorre anualmente e ininterruptamente desde 2005, evento promovido pela prefeitura de São Paulo, cujo público estimado na (7ª Virada Cultural, ocorrida agora em abril de 2011) foi de quatro milhões de pessoas vindas de todas as partes do Brasil e do mundo.
A nossa “Virada Cultural” foi inspirada na “Nuit Blanche – Noite Branca” de Paris, que agora em outubro de 2011 completará 10 anos de existência; como se vê, a França está por todos os lados na cidade de São Paulo.
Na capital paulista existe uma diversidade cultural francesa já imersa e marcante. Se no início imaginávamos contrastes harmônicos e incongruências culturais advindas dessa cultura típica e corrente de uma grande metrópole fomos surpresos pela parceria e troca harmoniosa de culturas. Pois aqui encontramos, deveras, pérolas do hibridismo cultural: França/Paris – Brasil/São Paulo, cravados nos múltiplos personagens que compõem a cidade e em sua cultura.
Quando olhamos São Paulo do alto vemos um oceano de arranha-céus, motos, carros, ruas, parques, praças...
Um mar feito de concreto, pontes, guindastes, que impressionam pelo tamanho, mas se repararmos bem, e olharmos para dentro de nós, nossa cidade mostra sua face humana feita de encontros e desencontros, grandes aspirações, empreendedorismos, esperanças, tristezas, alegrias e sonhos. Vemos, sobretudo, uma megalópole heterogênea, que abriga várias culturas, absorve e aprende de todas sem ser reacionária em si própria; e que não perde sua identidade própria. Espaço público onde se misturam sotaques advindos do mundo inteiro. São Paulo tem muito da cultura francesa em seu próprio viver.
Por fim, novamente Hemingway, que escreveu assim no final de seu livro já citado: “Paris não tem fim [...]”.
E não tem mesmo...
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Texto na modalidade de dissertação, enviado ao concurso da Aliança Francesa: "O que há de francês em São Paulo". O resultado dos ganhadores, sai no começo de setembro/2011.
domingo, 24 de julho de 2011
CRÔNICAS AVULSAS: DE BRAÇOS ABERTOS

Foto retirada do site: http://jr-art.net (em 24/07/2011) - Start Sending Now for Inside out Project.
Os romanos tinham por hábito viverem a seguinte frase: “mens sana in corpore sano”, ou seja, “uma mente sã num corpo são”. Confesso que sou adepto também a tal frase, e adoro correr. Numa das minhas estadias na cidade de Socorro – SP, decidi ir correndo da casa dos meus tios, que fica perto do ginásio municipal de esportes até o Mirante do Cristo, percorrendo toda a estrada municipal do Cristo Redentor. Atividade um tanto puxada e que tive um razoável desgaste pra cumprir, mas quando cheguei ao topo, todo suor que escorria em bicas pelo meu corpo, foi recompensado de forma maravilhosa pela visão panorâmica e belíssima que pude contemplar da cidade. Um verdadeiro deslumbramento dos olhos e do coração. Pois como dizia Antoine Saint-Exupéry, no seu mágico livro O pequeno príncipe: “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.”
Impossível não se lembrar do Cristo Redentor do Rio de Janeiro, que foi considerado uma das sete maravilhas do mundo recentemente, motivo de grande orgulho pra todos nós – brasileiros, quando cheguei ao Mirante do Cristo socorrense. Mas, no mesmo instante em que ele me veio à mente, veio também uma lembrança da música: “Um trem para as Estrelas” do Cazuza, que conhecia como poucos a alma dos cariocas, e cantava assim: “Estranho o teu Cristo, Rio / Que olha tão longe, além / Com os braços sempre abertos / Mas sem proteger ninguém”. De fato a nossa segurança anda cada vez mais arriscada, não só no Rio de Janeiro, mas em qualquer lugar do Brasil. Não temos mais proteção.
Contudo, mesmo a despeito dessa criminalidade e barbaridade a granel que temos visto na televisão todos os dias, o Cristo Redentor socorrense e o carioca, ainda continuam imponentes e de braços abertos a nos receber e a olhar-nos, quem sabe, esperando de nós uma mudança. Aliás, essa mudança irá ocorrer operada por nós, pois, creio que Deus não irá fazer o que nos compete e está ao nosso alcance.
Ainda com o deslumbrando nos olhos e no coração com a magnífica visão contemplada, voltei correndo e refletindo pra casa, e cheguei à conclusão que algumas coisas e pessoas que passam por nós, não vão sozinhas e não nos deixam sós. Acabam invariavelmente e inexoravelmente deixando um pouco de si (alguns deixam muito, outros nem tanto) e levam também um pouco de nós.
Do Cristo Redentor socorrense, levo muitas coisas boas e um belo ensinamento silencioso sobre a esperança por novos e melhores tempos...
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PS. Essa crônica fui publicada no Jornal da Cidade de Socorro, em 22/07/2011, edição 33. http://jornal.redecidade.inf.br
quarta-feira, 20 de julho de 2011
UMA PESSOA ENCANTADA - IN MEMORIAM
_Ave Maria 1 de Victor Brecheret.
Hoje faz dois anos que você nos deixou. Saudades grassam por todos os lados do meu ser, bem como da Marli Caldas e Luana Caldas também.
Impossível não se lembrar de ti mãe. O consolo só veio com o tempo, pois temos a certeza, mais do que absoluta que deves estar num lugar bem melhor do que este aqui; e em breve estaremos todos juntos - sem sombra de variação.
Como dizia o Guimarães Rosa: "As pessoas não morrem, ficam encantadas". Contigo, não é diferente: ficaste encantada em nossos corações e memórias; para todo o sempre...
Até logo!
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domingo, 17 de julho de 2011
CRÔNICAS AVULSAS: CHICO BICO E O CLARÃO DE ESPERANÇA

_Wrinkles of the City Project, Silverlake, Los Angeles - extraído do site: http://jr-art.net (em 17/07/2011).
Íamos caminhando rumo ao nosso destino: Rua 13 de maio. As nuvens já adquiriam sua cor inefável do fim de tarde e o sol já se punha glorioso. Eu precisava ir ao banco e depois acertamos que iríamos jogar algumas partidas de sinuca no bar; nada de espetacular reside nisso. Contudo, quis o destino estragar ou melhorar nossos planos? Não sei; só sei que no meio do caminho, nos deparamos com ele, no ponto de taxi de esquina da rua: Chico Bico.
O sujeito era totalmente desconhecido da minha pessoa; pois moro em São Paulo e ele em Socorro - SP. Porém, conhecido de longa data do meu tio, que na mesma calçada que caminhávamos, assim que o avistou, no seu sagrado lugar, sussurrou-me ao pé do ouvido:
“Marcelo, não lhe diga nada. Apenas acene com a cabeça. Deixe-o falar por no máximo um minuto e diga que está com pressa. E vai saindo! Não lhe de prosa. Senão...”
Não atendi o conselho do meu tio, por dois motivos: não consegui me livrar da verborragia do Chico Bico, que era fascinante e da forma como contava as histórias, umas em cima das outras, emendando-as como um habilidoso cirurgião, sem perder o fio da meada e nem sequer tomava fôlego para isso. Passados alguns minutos, já era conhecedor de toda a genealogia de sua família, dos “causos” picantes da cidade de Socorro – SP e da sociedade em geral que ali reside, usos, costumes...
Voltamos pra casa. Meu tio frustrado e eu aos risos. Não fui ao banco e muito menos jogamos sinuca. Não preciso nem lhes dizer o motivo...
E o Chico Bico, por fim, assim que soube que eu era socorrense também, pois nasci na cidade, declamou até meus ouvidos gravarem o hino da estância de Socorro, pois, julgava que como era nascido nessa terra e embora vivesse em cidade grande: São Paulo - era obrigação minha conhecer cada uma das estrofes do glorioso hino. As duas primeiras estrofes (na enxurrada de informações que obtive dele) se perderam e hoje quando puxo na memória para escrever essa crônica, vejo que se esvaíram como o pó, quando é soprado. Mas a parte final, consegui gravar:
“Socorro, enfim, é festa e sol, trabalho,
encanto e luz,
da alvorada ao arrebol!
Suaves noites, gentil luar
Um clarão de esperança e de fé
Sempre e sempre a brilhar!”
Sim, verdadeiramente um clarão de esperança e de fé. Pois, somente no interior é que podemos ter uma experiência rica como essa, onde uma pessoa se desnuda em palavras a outra, mesmo sem nunca ter visto ela na vida pelo simples prazer de dialogar. Sem medo ou receio.
Aqui em São Paulo, andamos arredios e mal conversamos com nossos vizinhos, quiçá com um desconhecido...
Precisamos de mais Chico Bicos, que sempre e sempre estão a bilhar e nos fazem lembrar que a esperança por novos dias, ainda não está morta.
***
PS. Meu coração está em festa, pois essa crônica minha foi publicada no Jornal da Cidade - Socorro-SP, em 15/07/2011, edição 32 - http://jornal.redecidade.inf.br
Faço votos para que seja a primeira de muitas...
Ándele!
sábado, 16 de julho de 2011
EXCERTOS FOTOGRÁFICOS E POÉTICOS DE LUANA CALDAS

A foto acima foi tirada em agosto de 2005, na altura da cidade de Novo Progresso, no Pará, na beira da estrada BR 163 (Santarém-Cuibá), pelo premiado e um dos mais importantes fotógrafos do Brasil: Araquém Alcântara.
O bicho agonizante que cruzou o caminho do fotógrafo foi parar na última página do livro Amazônia, que rendeu ao fotógrafo um prêmio Jabuti. Eis as palavras do próprio Alcântara sobre o registro:
"Estava perto de Novo Progresso, no Pará, em agosto. Vi um movimento na floresta queimada. É o olho do fotógrafo, que faz um rastreamento quando chega a um lugar. Peguei um binóculo e o avistei. De perto, vi que estava queimado e cego. Ele ainda quis se defender, em pé, de braços abertos, mas não era mais um gesto de defesa. Era súplica. Ele parecia dizer: 'Quem é você, o que pode fazer por mim?' Aquilo ali resumiu o que significa a Amazônia atualmente. Não vai haver prosperidade se não mudarmos a maneira de desenvolver a região."
POEMA: O POETA E SEU PAPEL ECO LÓGICO
"O poeta é como um camponês, colhedor da densa flora do enraizado imaginário, onde as palavras brotam como folhas, flores, frutos ou espinhos.
E como todo bom ervanário, às vezes formula textos venenosos contra as mazelas crônicas do mundo.
O mesmo texto indicado para as miopias cerebrais, que resulta em ignorância, age também nos corações como sensibilizador.
Deve ser tragado pelos olhos e pelos dedos, mas seu conteúdo vai direto pra cabeça.
Seus efeitos são: exercício da cultura, sapiência, senso crítico..."
_"Dos olhos pra fora mora a liberdade" - Casulo, ed. Casulo (2009).
***
quinta-feira, 14 de julho de 2011
CRÔNICAS AVULSAS: QUEBRAMOS O ALTAR E AGORA: JOSÉS E MARIAS?

Eduardo Kobra, "Welcome to Amazônia" localizado na Av. Rebouças, 167, com 7 m x 5 m.

Idem, sem nome ainda, localizado na Rua Alvarenga, 2.400, com 10 m x 5 m.

Idem, "Navio Baleeiro" obra crua e forte, baseada em uma cena da caça de uma baleia pelo navio Yushin Maru, fica localizado na Rua Domingos de Morais, não disponho do nº e medidas. O rapaz caminhando ao lado é o próprio muralista e artista plástico: Eduardo Kobra.
Já não tenho mais paciência para ouvir falar, em: Tratado de Kyoto, ECO-92, Agenda 21, que o desmatamento da Amazônia vem crescendo, Al Gore e seu documentário: “An Inconvenient Truth (Uma verdade incontestável), o partido PV com suas chamadas ecológicas na TV, o hippie do Carlos Minc e a Presidenta Dilma e afins com suas bravatas ecológicas...
Cansei das verborragias; quero ações. Que a situação vai de mal a pior, é de conhecimento de todos.
As palavras: “desenvolvimento sustentável” tornaram-se um verdadeiro mantra sagrado ou seria mais para um toque de Midas?
Essas palavras expandiram-se para todos os seguimentos e em todas as esferas. Hoje, empresas extremamente capitalistas como os bancos, se dizem empresas sustentáveis. Virou moda. Aliás, modinha – mainstream. Uma verdadeira: lástima!
Penso que quando ouvirmos tudo isso que é dito e veiculado em todas as mídias, deveríamos pensar, o seguinte: “E eu?”. Sim, “eu” Josés e Marias, onde entramos nessa história? O que estamos fazendo por um mundo melhor? Quais ações temos feito em nossos lares, para mudar esse quadro catastrófico? Que tipo de educação estamos passando aos nossos filhos e filhas, no tocante ao meio ambiente? O que temos feito para irmos contra essa correnteza, que mais cedo ou tarde irá nos matar?
Adoro o escritor moçambicano Mia Couto, eis o que ele disse num dos seus monumentais livros: "Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra" - Ed. Companhia das Letras, pág. 93:
"Quando a terra,
se converte num altar,
a vida se transforma numa reza".
E agora José? E agora Maria?
Quebramos o altar da natureza, todos (sem exceção) são culpados, e o que vamos fazer? Massagear nossos egos, com a propaganda falaciosa da mídia, para nos sentirmos melhores? Ou realmente mudar de fato, levantar o traseiro da acomodação e agir? Esperar que tudo melhore como num passe de mágica bem diante dos nossos olhos, sem ações da nossa parte é impossível, e um ato cínico, pusilânime e tacanho – nosso.
Aliás, seria loucura e auto-aniquilação, deixarmos a coisa correr solta e vermos no que vai dar.
Não sou pessimista e muito menos acordei azedo. Apenas quis compartilhar minhas angustias, e quem sabe, encontrar guarida nos demais leitores, para mudarmos; pois eu creio nisso!
Todos pensam em mudar o mundo, mas não querem mudar a si próprios, que é o primeiro passo elementar dessa longa caminhada.
Vamos caminhar juntos nesse sentido?
***
terça-feira, 12 de julho de 2011
CRÔNICAS AVULSAS: UM ÔNIBUS PARA AS ESTRELAS

Cazuza cantava em sua música “Um trem para as estrelas” o seguinte refrão: “Num trem pras estrelas / Depois dos navios negreiros / Outras correntezas.” Onde eu moro, não tem um trem, mas, temos um ônibus que me levou muitas e muitas vezes as estrelas. Através dele, conheci mundos e desbravei florestas, singrei oceanos e nunca mais fui o mesmo...
Ele atende pelo nome de: Ônibus-Biblioteca, projeto da Prefeitura de São Paulo, que consiste numa proposta inusitada de biblioteca, pois a mesma vai até determinados bairros, uma vez por semana para emprestar livros aos que quiserem e na semana seguinte os usuários devolvem ou renovam os mesmos.
Onde eu moro, Jardim Ângela, eles vem toda 3ª feira. E pude observar quando topei com os mesmos por aqui, que continuam ainda a fazer o mesmo sucesso de outrora com as crianças e adolescentes. O que me deixou extremamente feliz. Salvo de engano meu, todos os livros da Ruth Rocha, Ziraldo e Monteiro Lobato eu devorei, fora os almanaques, que eram disputadíssimos e muitos outros... Época mágica essa, quiçá eu pudesse voltar no tempo...
Mas como dizia o mesmo Cazuza: “Porque o tempo, o tempo não pára”. De fato não pára, mas no instante em que pude ver as crianças com os livros em punho, saindo do Ônibus-Biblioteca com um largo sorriso no rosto, como se estivessem com o mais belo troféu do mundo, ele parou, bem diante dos meus olhos...
Essa é a magia da literatura! Que pertence a outras correntezas do nosso breve viver...
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segunda-feira, 11 de julho de 2011
AFORISMOS DE UM CONSTRUTOR

A REPRODUÇÃO INTERDITE (1937), DE RENÉ MAGRITTE.
Criamos o tempo e passamos a ser dominados por ele.
Criamos as palavras, que deveriam nos libertar, mas as palavras se tornaram prisões que, muitas vezes, nos sufocam.
Criamos rótulos para nos ajudar a viver em sociedade, mas não compreendemos o que há na essência dos seres.
Perdemos a espontaneidade, não olhamos mais para os outros e somos de tal modo governados pelo que a sociedade exige que acabamos esquecendo quem somos.
Vivemos num mundo que nos oferta muitas coisas, mas não oferece nada do que realmente precisamos. A sociedade nos entope de porcaria, a TV nos ilude.
Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores, amamos raramente e odiamos freqüentemente.
Fizemos inúmeras conquistas tecnológicas, mas não conseguimos entender o que se passa dentro de nós.
Limpamos nossa casa, mas poluímos nossa alma; adicionamos anos à nossa vida, mas não vida aos nossos anos.
Entramos numa era em que os lucros são excessivos e as relações vazias.
Achamos que temos muitos amigos, quando na verdade a quantidade é apenas virtual.
Nunca se reclamou tanto de solidão como nos dias atuais, embora estejamos sempre cercados de gente.
Não estaria na hora de mudar a nós mesmos mais profundamente para colhermos de graça os frutos da sabedoria que existe à nossa disposição?
Que maravilha seria se mudássemos um pouco por dentro toda vez que mexêssemos do lado de fora!
O mundo seria um lugar mais agradável pra se viver se parássemos de culpar os outros pelos nossos fracassos e entendêssemos que tudo o que acontece conosco é responsabilidade nossa, tanto a parte boa como a ruim, salvo as fatalidades da vida.
O presente é conseqüência das escolhas feitas no passado e o que colheremos no futuro dependerá do que estamos semeando hoje.
Portanto, ao buscarmos a nossa própria melhoria como pessoas daremos início à construção de um mundo bem melhor...
Fonte: Retirado do Editorial (pp. 02) do Jornal da Cidade - Socorro-SP, Quinta-Feira, 21 de Abril de 2011.
***
quinta-feira, 7 de julho de 2011
EIS MINHA SHANGRI-LA, QUE ATENDE PELO NOME DE:


Não irei contar a estória “oficial” da cidade que originou o nome dela.
Irei contar à história corrente que todo socorrense conhece a boca miúda e que minha mãe me contava desde tenra idade, como sendo a verdadeira e única aceita por todos socorrenses, sobre a origem do nome da cidade: Socorro.
Minha mãe me dizia, que no ano de 1829, data do batismo da cidade; um proeminente político oriundo dessa terra tão bela e de palmeiras, onde canta o sabiá, com fumos e ares de imperador, estava incumbido de dar o nome da cidade, e preocupadíssimo como estava, pois era um verdadeiro engodo, não conseguia atinar com nenhum nome que pudesse oficialmente representar toda a sua opulência e beleza rara para o mundo.
Desiludido consigo mesmo, resolveu afogar suas mágoas num bar da cidade e tomou um belo porre, pois, nenhuma “eureka” lhe via a mente.
Já em cima da hora, para o triunfo oficial da cidade, que seria finalmente batizada e sairia da obscuridade para o estrelato mundial, o fausto político, além de atrasado e bêbado, estava com a bexiga estourando, pois, tinha tomado mais de meia dúzia de cervejas - sozinho.
Os assessores assim que o acharam no bar o levaram imediatamente ao centro da cidade para o lançamento tão aguardado do nome. Estava à população inteira da cidade até então sem nome em pé e os demais políticos o aguardando, assim que o augusto imperador deu o ar da graça, pediu logo licença a todos, e disse que estava apertadíssimo e que lhe dessem um pequeno tempo que já voltaria, com o tão aguardado nome. E pediu perdão, pois, infelizmente disse a todos com ar de acamado e tristonho, que sofria dessa moléstia, ou seja, bexiga solta.
Passados alguns minutos, como o mesmo não voltava e a população socorrense já começa a vaiar todo o emplastro político, ouviram gritos em alto e bom som, e quando correram para acudir, pois, imaginavam que algo de extremamente ruim acontecera ao jovem político proeminente, pois os gritos vinham da direção de onde ele tinha ido, e eram guturais...
Deram com o jovem e augusto imperador de calças arriadas e enroscado numa cerca de arame farpado, gritando: SOCORRO! SOCORRO! SOCORRO!
E foi assim, que a portenta cidade foi batizada e até hoje leva esse nome tão belo: SOCORRO.
Por favor, não riam, pois, eu nasci nessa cidade. E ela é minha Shangri-la; sim senhor!
Para maiores informações turísticas, acessem:
http://www.estanciadesocorro.com.br
***
PS. Vocês não imaginam o quanto é delicioso pegar a estrada e atravessar São Paulo e ir para essa cidade do interior, dirigindo a 140 km na Fernão Dias, com o iPod no ouvido, ouvindo Kings of Leon; Pearl Jam e O Rappa, isso sara qualquer estresse da vida...
Aliás, imaginem aonde irei nesse final de semana? Nem precisa pensar muito...
Tem uma balada nova na cidade que adorei, é um Pub no melhor estilo da Av. Nova (Av. Luis Dumont Villares) em Paulo Paulo. Ele se chama Lubeck Bar, maiores, informações acessem: www.lubeckbar.com.br
quarta-feira, 6 de julho de 2011
LUANA CALDAS RECOMENDA - CIRCO RODA EM: DNA SOMOS TODOS MUITO IGUAIS
(= Tamo Junto!

=)

(=

*_*
No começo do ano letivo a Luana Caldas (minha filha, aos menos desavisados) veio com uma questão pra mim, aliás, ela adora isso: “Pai, em minha sala tem um aluno, que possui necessidades especiais, como devo agir com ele?”. Confesso que na hora, custei a articular uma resposta que viesse a dirimir suas dúvidas em como lidar com ele. Meio capenga fomos construindo juntos algumas percepções e posturas que ela deveria adotar em sala de aula doravante com esse aluno; que, em nossa opinião seriam as melhores e mais acertadas.
Uma coisa, que fiz questão de ressaltar em vosso coração, é que em nada, ele era diferente dela. Aliás, se uma pessoa não está pronta para receber TODAS as demais pessoas, ela é que é deficiente.
Como sou fã inveterado da 7ª arte, fui à busca de algum filme significativo sobre o assunto, e cheguei ao “O Jardim Secreto” da excelente diretora e roteirista polaca Agnieszka Holland que recomendo a todos; pois, um dos personagens centrais do filmes é um menino cadeirante.
Não contente, e já conhecedor dos trabalhos teatrais dos Parlapatões e Pia Fraus, que juntos, formaram o CIRCO RODA BRASIL em 2005, não tive dúvidas, em levar a Luana para ver o espetáculo: DNA: SOMOS TODOS MUITO IGUAIS.
O Circo Roda Brasil continua a explorar novos cenários para a arte circense contemporânea em sua terceira montagem. Em “DNA: Somos Todos Muito Iguais”, há uma tentativa de fio narrativo para fazer com que os tradicionais malabarismos, saltos e vôos terminem com algum tipo de reflexão mais filosófica.
Na trama, Inadequado é um palhaço cujos desencantos ganham nova missão ao ajudar a Anja recém-caída do céu. Com suas asas quebradas, ela será conduzida em novas aventuras por uma cadeira de rodas.
Terão de enfrentar o antagonista Homem Original, um cientista meio homem, meio macaco, que é movido pela razão.
Os deficientes físicos cotidianamente vivem a auto-superação e, nesse sentido, têm muito a ver com a vida dos artistas circenses. O circense se propõe a viver o constante desafio de que o homem pode se superar, superar a natureza. Quase tudo no circo desafia a lei da gravidade, com exceção do palhaço que a ela cede, cai e tomba.
Deficientes físicos não fizeram a opção pelo desafio, mas têm de encará-lo da melhor maneira possível.
Nesse espetáculo todos saem impactados, pois, se pararmos para pensar cientificamente falando e ainda com o peso de uma carga poética: nossos DNAs, entre os animais, são pouquíssimos diferentes. Então, SOMOS TODOS MUITO IGUAIS. A premissa do darwinismo percorre todo o espetáculo que dialoga com os momentos circenses sobre a evolução da espécie.
Logo o espetáculo nos faz divertir profundamente, e com a alegria de quem tem sempre esperança, para que assim possamos refletir sobre o sentido de nossas vidas que, afinal, são muito mais iguais do que imaginamos.
A Luana está de férias da escola e do blog também e meu incumbiu de relatar o evento que fomos juntos da melhor forma possível aqui no blog, ela leu e releu essas linhas escritas, propondo alterações e sugestões, depois de muito custo, deu seu selo de aprovação e não obstante quis dar seu toque, pois, recitou esse poema em homenagem ao seu amigo da escola no dia do seu aniversário e levou até seu professor as lágrimas. Apreciem com moderação:
DEFICIÊNCIAS DE MARIO QUINTANA:
“Deficiente é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
Louco é quem não procura ser feliz com o que possui.
Cego é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.
Surdo é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
Mudo é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
Paralítico é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
Diabético é quem não consegue ser doce.
Anão é quem não sabe deixar o amor crescer.
E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:
Miseráveis são todos que não conseguem falar com Deus.”
***
PS. Para maiores informações sobre o Circo Roda, acessem: http://www.circorodabrasil.com.br
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