segunda-feira, 25 de junho de 2012

CRÔNICAS AVULSAS: DEGAS, DEGAS, DEGAS - BRAVO!


BAILARINAS AZUIS (1890) DE DEGAS

Nesse final de semana estávamos a limpar minha coleção de replicas dos grandes artistas que atravessaram nosso tempo com suas obras ímpares de pura genialidade. E como o leitor já deve ter percebido, pela quantidade com que aparecem nos posts desse blog, também sou um amante da arte e até tenho algum tacanho conhecimento desse assunto.

Minha filha (Luana Caldas, que vez por outra resolve dar o ar da sua graça aqui nesse blog, com alguma contribuição) estava comigo nessa empreitada e ficou encantada com o quadro: Bailarinas Azuis (1890) de Degas. E como é costumeiro seu me bombardeou de perguntas sobre o artista. Respondi como pude, exceto...

Degas foi, sem dúvida, um dos artistas mais inovadores e originais do século 19. O seu olhar excepcionalmente agudo e sem precedentes, permitiu-lhe entrar no coração da vida parisiense moderna – o café-concerto, as corridas de cavalo, a vida nos bastidores do teatro Ópera e principalmente as famosas bailarinas, que foram o alvo principal dos seus pincéis e tintas. Irrequieto e insaciável experimentador de novas técnicas, ele conferiu ao pastel uma força expressiva e uma riqueza cromática totalmente nova, ampliou os limites da gravura, da litografia, do monotipo e da fotografia, e introduziu novos assuntos e materiais no campo da escultura, tradicionalmente menos flexível.

A pergunta que a Luana me fez mais difícil, foi sem dúvida por qual motivo Degas pintou tantas bailarinas. Pensei e repensei antes de dizer algo, por sorte me veio à mente um pequeno trecho onde François Truffaut, também se inquieta sobre o motivo de Hitchcock só fazer filmes sobre suspense, corri no livro e li Truffaut para ela:

“Constatamos no trabalho de Hitchcock que o estilo de um cineasta pode ser reconhecido pela insistência com que se demora neste elemento da narrativa mais que naquele outro. Podemos descrever tal fenômeno com o slogan: ‘Mostra-me o que filmas um pouco longamente demais, e te direi quem és’”.

Antes que sua cabeça ficasse embaralhada por ter buscado no cinema uma resposta para a arte, lhe expliquei que a carreira Degas, comprova que um pintor pode conhecer o sucesso e permanecer fiel a si mesmo, escolher seus próprios temas, tratá-los à sua maneira, realizar seu sonho e ser compreendido por todos. Embora no caso de Degas, ele só foi reconhecido mais tarde pela crítica, pintando suas bailarinas. Contudo, disse para ela que isso pouco importa. Para minha sorte e alívio ela se deu por satisfeita com a resposta.

Degas não teve alunos; talvez a sua originalidade fosse tamanha que os outros artistas só conseguiam colher a sua herança parcialmente. Foi, porém, o inspirador de vários deles e em geral foi generoso com aqueles que o observavam e o admiravam: como minha filha e eu...

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