Salvo de engano meu, foi Freud
quem disse que não se deve esperar toda a satisfação de uma única fonte; pois os
riscos são elevados. Contudo, venhamos e convenhamos, é justamente o oposto da
frase que mais vemos grassar em nossos dias. Pessoas colocam como felicidade
suprema: aquele corpo escultural, aquele carro do ano, aquele último celular ou
aquele último lançamento assim ou assado e a lista não tem fim. Aliás, lá
existe fim para os desejos do ser humano?
Sinceramente creio que não,
pois somos seres que desejam a todo instante. Sempre: mais e mais. Numa ânsia
desenfreada e megalomaníaca. Obviamente que a nossa mídia, sempre sedenta por
querer ditar as tendências de consumo, inundam nossa mente com as mais recentes
novidades, e aquele apelo irresistível de que temos de ter tais novidades em
nossas casas e quando nos damos conta, lá estamos nós endividados até o pescoço
– mais uma vez.
Penso que uma solução é
justamente aprendermos a nos satisfazermos com o que temos. A estarmos
contentes com o que já possuímos e só nos enveredarmos em aderir aos novos
apelos consumistas, quando realmente for uma necessidade e não uma mera
futilidade. Eis um grande exercício de virtuosismo: estar satisfeito e feliz
com o que já possui. Lembram-se do Gênesis, quando Deus começou a criar tudo?
Lá diz que Deus ao cabo do sétimo dia, quando tinha terminado sua criação –
Deus: “descansou”. Pois bem, se até Deus teve seu dia de descanso e apenas
contemplou tudo que tinha feito, por que nós (eu e você) não podemos também
descansar de tudo que já fizemos, conquistamos ou construímos?
Procurarmos ter contentamento
com o que já possuímos é um passo valioso para sermos felizes. De repente, essa
tal felicidade sempre esteve ao nosso redor e cegos – nem a notamos.
Bem sei que nós escritores
podemos até quebrar os grilhões de uma cela, através daquilo que escrevemos.
Mas não me assustarei se os prisioneiros não saírem. Pode ser que a cela seja
um lugar absurdamente confortável para eles. Contudo, há opções que tomamos em
nossas vidas que até parecem em determinados momentos o mais certo a se fazer,
contudo, no fim, será extremamente danoso isso para nossas vidas.
Freud disse que: “A felicidade é um problema individual.
Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz.”
Penso que nessa caminhada individual nossa, abandonar certas novidades
do momento e viver a vida sobre outro prisma de contentamento com o que já
temos – seja um bom começo rumo à felicidade.
Bons dias!
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É meu velho, complicamos por demais....Abraços meu caro.
ResponderExcluirOlá Uno...
ResponderExcluirObrigado por ter lido! Abraços irmão!